Por que a NR-1 deve estar na agenda da liderança em 2026
A segurança e a saúde no trabalho ocupa um espaço cada vez mais estratégico nas empresas, deixando de ser um tema restrito às áreas de RH para se tornar parte da agenda de gestão e governança. Nesse cenário, a NR-1, norma que estabelece as disposições gerais e o gerenciamento de riscos ocupacionais, ganha ainda mais relevância com as atualizações mais recentes, cuja vigência se consolida em maio de 2026.
Para líderes e gestores, é importante compreender as atualizações da NR-1, a fim de entender como decisões relacionadas à gestão de pessoas, à organização do trabalho e à condução das equipes impactam diretamente a prevenção de riscos, a continuidade operacional e a reputação das organizações.
Neste artigo, reunimos os principais pontos sobre as atualizações da NR-1, com destaque para as obrigações das empresas e para o papel da liderança na prevenção de riscos, incluindo as mudanças introduzidas em 2025, que ampliam o olhar sobre a saúde e o bem-estar no ambiente de trabalho.
O que é a NR-1 e por que ela é estratégica para as empresas
A NR-1 estabelece as diretrizes gerais para a segurança e saúde no trabalho, funcionando como base para a aplicação das demais Normas Regulamentadoras. Seu foco está na gestão de riscos ocupacionais, orientando as empresas a adotarem uma abordagem estruturada, preventiva e contínua.
Do ponto de vista estratégico, a NR-1 conecta segurança do trabalho, governança corporativa e gestão. Isso significa que a conformidade não se limita à existência de documentos, mas envolve processos consistentes, responsabilidades bem definidas e integração entre diferentes áreas da empresa.
Em setores como indústria, engenharia, manufatura, vendas técnicas e supply chain, onde os riscos operacionais são mais complexos, a NR-1 se torna um instrumento importante para garantir previsibilidade, reduzir impactos operacionais e fortalecer a cultura organizacional.
Principais atualizações da NR-1 e o que mudou na prática
As atualizações mais recentes da NR-1 reforçam a necessidade de uma gestão contínua e estruturada dos riscos ocupacionais, com maior clareza sobre as responsabilidades das empresas. O principal avanço está na consolidação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) como elemento central da norma.
A abordagem atual exige que as empresas:
- Identifiquem riscos de forma sistemática;
- Avaliem impactos e probabilidades;
- Implementem medidas de controle;
- Monitorem e revisem continuamente suas ações.
Essa evolução representa uma mudança importante na forma de tratar a prevenção. Ela deixa de ser pontual ou reativa e passa a integrar a rotina de gestão.
Para a liderança, isso significa maior envolvimento, acompanhamento e responsabilidade sobre como os riscos são tratados no dia a dia da organização.
Atualizações da NR-1 em 2025: a inclusão dos riscos psicossociais no PGR
Entre as mudanças mais relevantes, destaca-se a atualização trazida pela Portaria nº 1.419, de agosto de 2024, que passa a produzir efeitos práticos em 2025 e cuja adequação se torna obrigatória até 25 de maio de 2026. Essa atualização amplia o escopo da NR-1 ao incluir os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho (FRPRT) no PGR.
A nova redação da norma exige que riscos psicossociais, como estresse ocupacional, assédio, sobrecarga de trabalho e fatores organizacionais que impactam a saúde mental, sejam identificados, avaliados e tratados de forma preventiva pelas empresas.
Além disso, torna-se obrigatória a manutenção de documentação atualizada sobre esses riscos e sobre os planos de ação adotados, com disponibilidade para fiscalização sempre que necessário. A norma também reforça o envolvimento dos trabalhadores, que devem participar das etapas de identificação e avaliação dos riscos, com revisões periódicas.
Quais são as obrigações das empresas segundo a NR-1 atualizada
Com as atualizações, as obrigações das empresas se tornam mais abrangentes e integradas à gestão. Entre os principais pontos, destacam-se:
Identificação e avaliação de riscos ocupacionais
As empresas devem mapear riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e, agora, também psicossociais, considerando atividades, processos, condições de trabalho e organização das equipes.
Implementação e manutenção do PGR
O Programa de Gerenciamento de Riscos deve ser estruturado, documentado e atualizado sempre que houver mudanças relevantes na operação ou no ambiente de trabalho.
Registro, monitoramento e atualização das informações
As ações de prevenção, os riscos identificados e as medidas adotadas precisam estar formalmente registradas, garantindo rastreabilidade e acompanhamento contínuo.
Integração da gestão de riscos à rotina da empresa
A NR-1 reforça que a prevenção deve fazer parte das decisões operacionais, do planejamento e da gestão de pessoas, deixando de ser uma atividade isolada.
Essas obrigações, além de atenderem às exigências legais, contribuem para ambientes mais organizados, seguros e sustentáveis.
O papel da liderança na prevenção de riscos
Gestores e líderes influenciam diretamente a forma como a segurança e a prevenção de riscos são compreendidas e praticadas dentro das organizações.
Decisões relacionadas a prazos, metas, recursos, dimensionamento de equipes e estilo de gestão impactam diretamente a exposição a riscos, especialmente os de natureza psicossocial. Quando a liderança atua de forma consciente e alinhada às diretrizes da NR-1, a prevenção deixa de ser apenas uma responsabilidade técnica e passa a integrar a gestão do negócio.
Além disso, líderes exercem um papel importante na comunicação, no exemplo e na consolidação de uma cultura organizacional que valoriza a segurança, o bem-estar e a responsabilidade coletiva.
NR-1, cultura de segurança e gestão de pessoas
A gestão de riscos ocupacionais está diretamente ligada à forma como as pessoas trabalham e se relacionam com os processos e com a liderança. Por isso, a NR-1 dialoga de maneira direta com gestão de pessoas e cultura organizacional.
Empresas que:
- incentivam práticas de trabalho saudáveis;
- promovem comunicação clara;
- investem em capacitação;
- tem equipe alinhada,
tendem a reduzir afastamentos, melhorar o engajamento e fortalecer o clima organizacional. Para a liderança, isso significa criar condições para que a segurança e o bem-estar sejam percebidos como parte do trabalho e não como entraves à produtividade.
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Riscos legais, operacionais e reputacionais da não conformidade
O não atendimento às exigências da NR-1 pode gerar impactos relevantes para as empresas. Entre eles:
- Autuações e multas administrativas;
- Interdições ou paralisações de atividades;
- Aumento de acidentes e afastamentos;
- Ações civis públicas por danos morais coletivos;
- Impactos negativos na reputação institucional.
Com a inclusão dos riscos psicossociais, esses impactos passam a abranger também questões relacionadas à saúde mental e à gestão do trabalho, reforçando a importância de uma atuação preventiva e estruturada.
A visão da EngSearch sobre liderança, segurança e conformidade
Na EngSearch, acompanhamos de perto as demandas do mercado industrial e técnico, onde normas, riscos e responsabilidades fazem parte da rotina de gestão. Entendemos que segurança, conformidade e desempenho organizacional são parte de um todo, e que a liderança exerce papel decisivo nesse equilíbrio.
Ao conectar empresas a profissionais preparados para contextos regulatórios, operacionais e humanos cada vez mais complexos, reforçamos a importância de decisões conscientes, alinhadas às exigências atuais e às demandas de longo prazo.
A NR-1 como responsabilidade estratégica da liderança
As atualizações da NR-1 reforçam que a prevenção de riscos é uma responsabilidade compartilhada, com protagonismo da liderança. É necessário cumprir a norma, mas mais do que isso trata-se de adotar uma postura de gestão integrada, consciente e orientada à sustentabilidade do negócio.
Para empresas que buscam solidez, previsibilidade e ambientes de trabalho mais seguros e equilibrados, compreender e aplicar a NR-1, incluindo suas atualizações mais recentes, é parte da estratégia.